sábado, 28 de dezembro de 2013

O PULMÃO FINANCEIRO DA EMPRESA


Veslaine Antônio Silva



            Em média, 80% das micro e pequenas empresas no Brasil não chegam a durar cinco anos, Na verdade, a metade delas “morre” nos primeiros dois anos, devido à  inobservância de alguns pontos chaves de controle, nada complexos. Nesse contexto, incluem-se também muitas empresas de médio e de grande porte. Num sentido figurado, da mesma forma que um ser humano, para sobreviver, necessita de ar, a empresa necessita de Capital de Giro, que chega a ser até mesmo mais importante do que a taxa de retorno que se espera.

            O ciclo operacional e financeiro de uma empresa vai, do momento em que se compram matérias-primas e/ou material de revenda, na maioria das vezes a prazo, tempo de estocagem para suprir o processo produtivo até a venda ou revenda de produtos, também na maioria das vezes a prazo e conseqüente recebimento, com a margem de lucro pretendida. Desnecessário dizer que o preço deve ser competitivo. Nesse período se encontra de forma predominante, o caos financeiro de muitas empresas. Chega a data de pagamentos generalizados, e onde está o dinheiro?

            Sabe-se que em média 70% dos recursos financeiros de uma empresa são canalizados para a área de materiais. Daí pode-se avaliar a importância de um processo racional no controle de materiais. A quantidade de itens a ser adquirida deve estar no ritmo da produção assim como a produção deve ser de acordo com o ritmo do mercado que a empresa vem atendendo. Para ambos os casos, quanto maior for o giro de materiais, melhor para o Capital de Giro. Caso contrário, precisa-se do dinheiro e grande parte dele está no estoque acima da necessidade, de matérias-primas e/ou de produtos acabados. Aqui está um dos pontos críticos.

            Com relação aos prazos nas compras e vendas, tem-se a dizer o seguinte: Quanto maior o prazo conseguido nas compras e quanto menor o prazo concedido nas vendas, mais elástico será o capital de giro. Nesse sentido todo o esforço deve ser feito buscando aumentar cada vez mais a diferença entre os prazos de compra e os prazos de venda. Caso contrário a empresa, num lento processo, vai se descapitalizando, deixando cada vez mais defasado o Capital de Giro. Todavia, os concorrentes e fornecedores estão pensando da mesma forma. Daí o rigor nos controles e a periódica e sistemática comparação dos prazos médios de recebimentos e pagamento para que, chegando a data dos pagamentos, grande parte do dinheiro não esteja nas mãos dos clientes pelas vendas a elevados prazos além da inadimplência de grande parte das contas a receber. Aqui está outro ponto crítico forçando a empresa a utilizar capital de terceiros provocando a redução nos lucros.

            Outro fator de suma importância está no esforço da empresa em buscar atingir numa velocidade cada vez maior, o ponto de equilíbrio, ou seja, o ponto a partir do qual a empresa começa a operar com lucro. Quanto maior a quantidade produzida e vendida ou revendida, mais rápida e maior a margem de lucro. Daí o outro grande risco é a manutenção de altas despesas fixas cujo montante será rateado no volume produzido.  Aqui também, se grande parte da produção estiver estocada pela produção acima da necessidade de mercado, maior o custo unitário de cada produto, prejudicando a competitividade, gerando altos estoques de produtos acabados, o que acaba também na busca de capital de terceiros.

Publicação baseada nos livros do autor

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

ONDE ESTÁ O DINHEIRO DA EMPRESA?


Veslaine Antônio Silva


Desconhecendo a autoria, mas lembrando de uma encenação de alunos em sala de aula, com adaptações e arranjos, um modelo diferente de orientação direcionada ao micro e pequeno empresário, com o objetivo de mostrar que, com a aplicação de simples, modestos e moderados sistemas de controles administrativos  e financeiros, a competitividade no mercado estará favorecida e a saúde financeira, bem como longevidade da empresa, garantidas.

Na sala de reuniões da pequena empresa “FALTA GRANA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA.”, o Sócio-gerente, tendo convocado uma reunião, se encontra com o responsável financeiro, o responsável pelas vendas e o analista contratado, para discutirem sobre a “SAÚDE FINANCEIRA DA EMPRESA”.


SÓCIO-GERENTE Senhores, o objetivo desta reunião, é descobrir o que está havendo, para onde está indo o dinheiro da nossa empresa. Temos realizado excelentes contratos de financiamento, as vendas caminham muito bem, a nossa margem de lucro chega a estar acima da expectativa, mas o dinheiro sumiu. A situação está das piores e as tendências são de piorar mais ainda. Onde está o dinheiro?
 
RESPONSÁVEL FINANCEIRO - bajulador, dando uma de “bom” – Gostaria de fazer uma consideração: as despesas mensais com financiamentos são elevadíssimas e, pelo que se vê, deverão comprometer seriamente a situação. É preciso fazer alguma coisa ou a situação acabará ficando insuportável.
 
“Diante dessa manifestação, o sócio-gerente pensa: ESSE CAMARADA ESTÁ MEIO BIRUTA. Se tem alguma pessoa que tem que fazer alguma coisa para reverter a situação, essa pessoa é ele mesmo, que é o responsável pela origem e aplicação correta dos recursos financeiros da empresa, e acaba por dizer:”
 
SÓCIO-GERENTE No que me compete, estou completamente atado, nem sei para onde foi todo o dinheiro, mesmo com altos faturamentos. Nem sei o que fazer.
 
RESPONSÁVEL PELAS VENDAS, dando uma de fininho, pedindo a palavra - Eu tenho feito de tudo para colaborar de todas as formas. Tenho vendido tudo certinho, cumprindo excelentemente a programação, não tenho autorizado nenhum desconto acima dos limites e, “não assino cheques nem vales”.
 
O responsável financeiro ajeita-se na sua poltrona, bate o olho no gerente de vendas, e, pensa, mas não diz: “QUE NEGÓCIO É ESSE? O QUE É QUE ESSE DESGRAÇADO QUER DIZER COM 'NÃO ASSINO CHEQUES?' Esse porcaria desse camelô deve estar insinuando o quê a meu respeito?"
 
ANALISTA Esta discussão, simplesmente não tem sentido.
 
SÓCIO-GERENTE Não tem sentido? Depois do que falamos, não tem sentido? Como assim? Não estou entendendo senhor analista.
 
ANALISTA Minha posição não é de simpatia ou antipatia diante de todos, a não ser estar preso à linguagem dos números. Não está nada complicado, pelo contrário, está tudo muito simples. Se o assunto é saber “PARA ONDE FORAM OS RECURSOS FINANCEIROS”, isto já foi respondido há um bom tempo e, segundo me informei junto à assessoria, com todo o respeito, todos os senhores já foram comunicados, não só desta vez como muitas vezes no passado, sempre em tempo oportuno, mostrando a sequência dos fatos. O que tem ocorrido, talvez tenha sido a falta de tempo ou mesmo uma atenção desinteressada sobre os relatórios econômico-financeiros elaborados mensalmente pela assessoria.
 
SÓCIO-GERENTE Essa é fantástica. Estou preocupado em saber para onde está indo o dinheiro e o senhor ANALISTA diz que a assessoria tem informado sobre isso, periódica e sistematicamente em forma de relatórios. O senhor conseguiu me deixar nervoso, será que o senhor está me chamando de cego ou de ignorante? É melhor deixar isso bem claro, caso contrário, senhor ANALISTA, a coisa pode ficar preta... Dá para explicar isso melhor e como esses relatórios e informações têm chegado ao nosso conhecimento?
 
ANALISTA - É claro, é muito simples, disse com certa autoridade. No final de todo mês, a assessoria, baseada nos registros das operações, tem remetido a todos os senhores gerentes e responsáveis, além dos Balancetes e Demonstrações de Resultados, além também de vários demonstrativos de controle, um relatório chamado DEMONSTRATIVO DE FONTES E APLICAÇÕES DE RECURSOS FINANCEIROS, com comentários, críticas e sugestões.
 
SÓCIO-GERENTE Ah! Estou me lembrando desse título numa folhinha. Nunca me preocupei. Aquilo não é apenas uma exigência da Lei das Sociedades Anônimas? Nossa empresa é pequena e é sociedade limitada.
 
ANALISTA Realmente é uma exigência legal, que infelizmente muita gente pensa, que é só para atender ao fisco, esquecendo que a Administração existe, para todos os donos e gerentes de empresas e não somente para o fisco. Embora não seja uma grande empresa, ou uma sociedade anônima, os princípios administrativos se aplicam, até mesmo ao “boteco” da esquina. O relatório, assim como outros demonstrativos, são necessários para se analisar a movimentação dos recursos financeiros, e as tendências da empresa.  Eles são emitidos periodicamente, ou mensal, ou trimestral ou semestralmente, etc. Aqui na empresa eles são emitidos mensalmente para efeito de controle interno e para que se dê tempo para tomadas de decisões administrativas, mudança de políticas etc., antes que a coisa fique insustentável, se for o caso”.
 
SÓCIO-GERENTE meio nervoso – Dá para explicar um pouco melhor esse negócio, sem enrolação, mostrando como esse relatório indica claramente onde foi parar o nosso dinheiro?
 
ANALISTA - Abrindo sua pasta, retirando um documento, distribuindo cópias, diz: - Aqui está senhores, o relatório “DEMONSTRATIVO DE FONTES E APLICAÇÕES DE RECURSOS FINANCEIROS” referente ao último período analisado, já enviado aos senhores, que mostra o agravamento da situação. Observem que na parte “A” do relatório se pode ver informações sobre as fontes de recursos, ou seja, de onde vieram os recursos de $577.323 que foram aplicados no período.
 
(Com esse relatório nas mãos, o ANALISTA continuou...)
 
ANALISTA – A atividade operacional da empresa contribuiu com 31,1% das fontes de recursos, ou seja, $179.354. Os sócios, com $34.500, aumentaram sua participação na empresa, que representa apenas 6,0% do total enquanto que o maior ingresso foi de $363.469, proveniente de empréstimos a longo prazo junto às instituições financeiras, que representa 62,9%.
 
SÓCIO-GERENTETudo bem está tudo muito bonito, mas o que estamos interessados é saber para onde foi o dinheiro.
 
RESPONSÁVEL FINANCEIROnovamente bajulando, diz: oras bolas! Onde fomos buscar os recursos, está mais do que claro que sabemos. Só não me lembrava das depreciações que deveriam ser somadas, por se tratar de uma espécie de lucro retido, já que, embora sejam consideradas despesas diante do fisco, referem-se a um dinheiro que saiu, contabilmente, mas que na realidade não aconteceu. O que queremos saber, como bem disse o nosso SÓCIO GERENTE, é para onde foi o dinheiro, pois a situação não está para brincadeiras. Vamos, vamos, o senhor foi contratado para isso.
 
ANALISTA – Desculpe-me senhor Responsável Financeiro, achei que o senhor tivesse conhecimento dessa situação. Então vamos lá. Olhe para a parte “B” do demonstrativo. Aí está a resposta sobre onde foram parar os recursos financeiros.



SÓCIO-GERENTE Quer dizer então que 57,2% dos recursos foram utilizados para a compra de Ativos Fixos, ou seja, Máquinas, Móveis e Utensílios, Equipamentos, etc., pensando numa não planejada expectativa de crescimento da produção e vendas o que não aconteceu?
           
            “Falava e olhava para o responsável financeiro, que por sua vez escorregava da cadeira e desejava que naquele momento ocorresse uma tromba d´água para que, com isso, a reunião terminasse”.
 
SÓCIO-GERENTE(continuando) – Os senhores, com caras lavadas, têm coragem de dizer que não sabem onde foi parar o dinheiro? É o cúmulo, é um absurdo, sobraram só 4,6% dos recursos para reforço do Capital de Giro? (BUFAVA E BUFAVA...) E você, senhor Responsável Financeiro, que fez suas críticas engraçadinhas, acho que anda muito ocupado controlando as secretárias, montado exuberantes salas com belos móveis e utensílios e se esquecendo de que a empresa merece um pouco mais de sua atenção. Você devia ter me avisado...
 
ANALISTA – Peço desculpas mais uma vez, senhor Sócio Gerente, mas minha posição é de franqueza, mesmo que com isso desagrade a todos.
 
            O senhor está se esquecendo que a empresa tem um sistema administrativo-financeiro por mim implantado, orientando um assessor de confiança, indicado pelo senhor, que elabora um fluxo de informações sobre o andamento dos negócios, que nos dias atuais, de forte concorrência, de baixa margem de lucro, qualquer deslize pode ser fatal.
 
            O senhor recebe os demonstrativos acompanhados de relatórios mostrando as tendências, mas tudo leva a crer que o senhor não os lê. Pelo que pude sentir, todo mundo aqui quer mandar, fora os paternalismos. E tem mais, o senhor não viu que, além do pró-labore mensal, 28% dos recursos referem-se às retiradas dos sócios e o senhor sozinho, tem 94% de participação na empresa e, é claro, autorizou a retirada, não importando o que acontecesse.
 
            Tive dificuldades ao exercer o trabalho para o qual fui contratado. Fui muito criticado por alguns dos seus colaboradores, mas estou avisando que estamos cheio de empresas que não se preocuparam com a administração e com a análise de informações registradas. Cheias de ”executivos” que querem sugar o máximo possível, e que acabarão na rua da amargura, lembrando ainda que poderão responder até com bens particulares. (terminou até suando e pensou: depois dessa, acho que não serei mais contratado...)
 
 
SÓCIO-GERENTEpigarreando, despistando, vendo que é o grande culpado pela situação da empresa e com um sorriso amarelo diz: – Bem senhores... Devido ao avançado da hora, vamos passar para o item seguinte da ordem do dia. Vamos colocar em votação. Na opinião de vocês, devemos continuar servindo cafezinho em xícaras de louça ou em copinhos plásticos descartáveis?

E assim, a empresa vai sustentando o sócio-gerente, apesar de não ter condições de se sustentar. Trata-se de uma empresa fadada ao fracasso. Como esta empresa, existem muitas por aí. Reflita, analise se você também não está sendo um administrador que não dá a devida importância aos dados e relatórios de sua empresa.

Publicação baseada nos livros do autor.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O DINHEIRO É TAMBÉM ENERGIA DIVINA?


Depende da procedência e do uso!

Veslaine Antônio Silva

Foto de Luciano.silva, disponível no Flickr sob licença Creative Commons

            Para conseguir uma pequena fortuna bastam três operações naturais e simples ou sejam: saber para onde vai todo o dinheiro, saber para onde deveria ir e certificar-se de que ele vá para onde deve ir. A maioria dos que chegam à beira da falência ou mesmo à falência, são incitados por motivos banais ou por interesse de outra ordem. Simulam despreocupações, permitindo esbanjamentos para dar a impressão perante a sociedade, de que seus bens estão florescendo.

            Muitos são os que perdem a saúde para acumular dinheiro e depois perdem-no o para recuperá-la. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por não viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido. O que ocorre com muitos é que passam a vida metendo numa caixa todos os seus tesouros até que um dia, seus corpos desprezíveis estarão nos seus próprios caixões, que nem eles próprios poderão carregar.

            Estar de bem com o dinheiro depende do verdadeiro propósito de sua existência. A partir do momento que o ser humano possui excessivamente mais do que o necessário para comer e se vestir, passa a viver mais preocupado. Não é errado possuir bens materiais, o que é errado é viver em função deles, principalmente para ostentá-los.

            A fortuna favorece os responsáveis. É importante ser corajoso com o dinheiro, mas não corajoso demais. Os heróis são adorados, mas heróis falidos são desprezados. Uma coisa é certa: administrar o dinheiro é fácil; difícil é administrar a falta dele. Muitas vezes também se sofre mais com desperdício de dinheiro, do que pela falta dele. É preferível ser dono de uma moeda, do que ser escravo de duas. Infelizmente, a origem de muitas fortunas é resultado dos saques realizados no passado provocando também a falência de muitos.

            Com dinheiro podemos comprar camas, mas não os sonhos; livros, mas não cultura; comida, mas não apetite; adornos, mas não beleza; uma casa, mas não um lar; remédios, mas não saúde; luxos, mas não simpatia; diversões, mas não felicidade; um crucifixo, mas não um Salvador, uma igreja, mas não o paraíso. É uma demonstração de que tudo o que o dinheiro não é capaz de comprar, Deus nos dá de graça.

            De outro lado, não se pode negar, o dinheiro toca nossos sentimentos e até mesmo nosso espírito. Um bom salário traz uma sensação de segurança, enquanto que uma grande dívida pode significar noites de insônia.

            Na verdade, o que não gera dúvidas, dinheiro é muito mais que poder aquisitivo. Ele tem uma energia complexa, influente e necessária. O dinheiro é uma força de energia que transcende limites físicos por sua habilidade de modificar formas. O dinheiro é, literalmente, uma coisa diferente para diferentes pessoas. Para muitos, um real, pode significar um pedaço de doce, para muitos outros também pode significar a única refeição do dia. Um bilionário poderia usar um determinado valor para comprar um jato particular, já para outros de uma classe média, provavelmente com o mesmo valor compraria uma casa para morar com a família.

            Não há nada de errado em apreciar o dinheiro ou tudo aquilo que ele pode comprar. Sob o ponto de vista cabalístico e outros espiritualistas, o significado emocional do dinheiro equipara-se à sua importância econômica. O dinheiro afeta todas as áreas da vida, da autoestima às ações e contratos. Entender a energia e o propósito do dinheiro coloca-nos no controle de nosso bem estar financeiro. Se o dinheiro tem tal energia, de onde essa energia vem?

            Por que separar os negócios da energia e da espiritualidade? Prosperidade é um estado de espírito, é ter sucesso e sentir-se realizado e satisfeito, em cada área da vida. Todavia é de suma importância que se tenha um certo grau de consciência para criar abundância em todas as áreas da vida, vislumbrando o que deseja em termos pessoais, materiais, financeiros e espirituais, para se sentir satisfeito.

            A experiência tem demonstrado que quando se tem idéias para ganhar dinheiro, reúnem-se todos os aspectos positivos em fração de hora, mas é muito comum, ricos viverem anos de tormentos por terem desprezados os pontos negativos. Não terá sabor a prosperidade, quando se vê duas vezes mais rico que antes, mas também duas vezes mais atropelado. Para se dizer que se tem muitos bens é necessário que a cultura esteja ao lado desses bens.

            Como justificar a importância e a necessidade de doações?

            Partindo também de princípios espiritualistas, a doação de dinheiro é simplesmente um compartilhar de energia que encontra justificativa. Afinal de contas, isso realmente é o que o dinheiro é. O ato de doar cria um circuito dinâmico de energia, sem o qual a energia monetária permaneceria estagnada, bloqueada e impossibilitada de crescer. Usar o dinheiro com consciência é também propósito espiritual que transforma positivamente, sem limitar o futuro. Isso se aplica não só às pessoas, como também aos negócios, relacionando o fato à tão falada Responsabilidade Social. Já é fato comprovado que as empresas que adotam esses princípios, benefícios a funcionários e à comunidade, “misteriosamente” transmitem uma administração eficiente e consequências positivas.

            Toda e qualquer doação, seja em dinheiro, objetos ou mão-de-obra, benefícios de um modo geral, deve ser feita de “coração”. Procure doar aos que necessitam de verdade, ou a instituições dignas de fé e, principalmente, evite dar o “dízimo” por medo, pois o que é feito sem amor não tem valor. Com relação ao dízimo, uma criação do homem, não tem sentido. Não é dando uma porcentagem do seu salário para uma igreja, que você irá comprar o seu lugar no “céu”. A “moeda corrente” no reino de Deus é o que se faz de bom ou de ruim e não a soma de dinheiro que se dá para uma igreja.

            Com relação às instituições religiosas, de um valor social indescritível nas comunidades, não se pode negar a importância ou até mesmo a obrigatoriedade de se fazer doações, afinal muitas delas são carentes de manutenção, mas, o dinheiro está no âmago de muitos problemas de muitas igrejas. Algumas delas enchem seus cofres, exigindo dízimos de seus membros para financiar estilos de vida extravagantes dos dirigentes e construção de templos magníficos, com a desculpa de agradar a Deus.

            No plano de Deus, a igreja é um corpo espiritual, com uma missão espiritual. Muitos dos problemas das igrejas modernas, relacionados com dinheiro, são resultados de decisões humanas de deslocar o centro das atenções de sua missão espiritual para os interesses sociais, políticos ou comerciais.

            Muitas igrejas pregam que o dízimo (um décimo) é necessário hoje, e que aqueles que não dão 10% não serão abençoados por Deus. Eles deixam de fazer a distinção que Jesus e os apóstolos fizeram entre o Velho e o Novo Testamento. O dízimo era parte da Lei de Moisés, para os judeus, alguns séculos antes de Cristo. Não estamos sob essa lei. Não há uma única passagem no Novo Testamento que autorize as igrejas a exigir dízimo. Tudo depende do potencial e do estado de consciência do doador, qualquer que seja o percentual, desde que o dinheiro tenha sido adquirido moralmente.

Os sentimentos e as energias são como os bens materiais; se você não os tiver para si, não pode dá-los aos outros. Se você tem somente um saco de pão e alguém lhe pede uma fruta, você não pode dar, pois não a tem. O mesmo ocorre com o dinheiro. Se você não tiver amor e paz dentro de você, não poderá dar, pois, primeiramente, é preciso ter para si, para depois poder dar para os outros.

                   Se você não está satisfeito com o que é e com o quanto ganha, imagine o que gostaria de ser e aonde chegar e trabalhe para atingir seu ideal, porque quando você pensa o bem, todas as forças do Universo lhe favorecem.

Texto baseado nos livros publicados pelo autor.