Veslaine Antônio
Silva
Em média, 80% das micro e pequenas
empresas no Brasil não chegam a durar cinco anos, Na verdade, a metade delas
“morre” nos primeiros dois anos, devido à
inobservância de alguns pontos chaves de controle, nada complexos. Nesse
contexto, incluem-se também muitas empresas de médio e de grande porte. Num
sentido figurado, da mesma forma que um ser humano, para sobreviver, necessita
de ar, a empresa necessita de Capital de Giro, que chega a ser até mesmo mais
importante do que a taxa de retorno que se espera.
O ciclo operacional e financeiro de
uma empresa vai, do momento em que se compram matérias-primas e/ou material de
revenda, na maioria das vezes a prazo, tempo de estocagem para suprir o processo
produtivo até a venda ou revenda de produtos, também na maioria das vezes a
prazo e conseqüente recebimento, com a margem de lucro pretendida.
Desnecessário dizer que o preço deve ser competitivo. Nesse período se encontra
de forma predominante, o caos financeiro de muitas empresas. Chega a data de
pagamentos generalizados, e onde está o dinheiro?
Sabe-se que em média 70% dos
recursos financeiros de uma empresa são canalizados para a área de materiais. Daí
pode-se avaliar a importância de um processo racional no controle de materiais.
A quantidade de itens a ser adquirida deve estar no ritmo da produção assim
como a produção deve ser de acordo com o ritmo do mercado que a empresa vem
atendendo. Para ambos os casos, quanto maior for o giro de materiais, melhor
para o Capital de Giro. Caso contrário, precisa-se do dinheiro e grande parte
dele está no estoque acima da necessidade, de matérias-primas e/ou de produtos
acabados. Aqui está um dos pontos críticos.
Com relação aos prazos nas compras e
vendas, tem-se a dizer o seguinte: Quanto maior o prazo conseguido nas compras
e quanto menor o prazo concedido nas vendas, mais elástico será o capital de
giro. Nesse sentido todo o esforço deve ser feito buscando aumentar cada vez
mais a diferença entre os prazos de compra e os prazos de venda. Caso contrário
a empresa, num lento processo, vai se descapitalizando, deixando cada vez mais
defasado o Capital de Giro. Todavia, os concorrentes e fornecedores estão
pensando da mesma forma. Daí o rigor nos controles e a periódica e sistemática
comparação dos prazos médios de recebimentos e pagamento para que, chegando a
data dos pagamentos, grande parte do dinheiro não esteja nas mãos dos clientes
pelas vendas a elevados prazos além da inadimplência de grande parte das contas
a receber. Aqui está outro ponto crítico forçando a empresa a utilizar capital
de terceiros provocando a redução nos lucros.
Outro fator de suma importância está
no esforço da empresa em buscar atingir numa velocidade cada vez maior, o ponto
de equilíbrio, ou seja, o ponto a partir do qual a empresa começa a operar com
lucro. Quanto maior a quantidade produzida e vendida ou revendida, mais rápida
e maior a margem de lucro. Daí o outro grande risco é a manutenção de altas
despesas fixas cujo montante será rateado no volume produzido. Aqui também, se grande parte da produção
estiver estocada pela produção acima da necessidade de mercado, maior o custo
unitário de cada produto, prejudicando a competitividade, gerando altos
estoques de produtos acabados, o que acaba também na busca de capital de
terceiros.
Publicação baseada nos
livros do autor
