Depende da procedência e do uso!
Veslaine Antônio Silva
Foto de Luciano.silva, disponível no Flickr sob licença Creative Commons
Para conseguir uma pequena fortuna
bastam três operações naturais e simples ou sejam: saber para onde vai todo o
dinheiro, saber para onde deveria ir e certificar-se de que ele vá para onde
deve ir. A maioria dos que chegam à beira da falência ou mesmo à falência, são
incitados por motivos banais ou por interesse de outra ordem. Simulam
despreocupações, permitindo esbanjamentos para dar a impressão perante a sociedade,
de que seus bens estão florescendo.
Muitos são os que perdem a saúde
para acumular dinheiro e depois perdem-no o para recuperá-la. Por pensarem
ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por não
viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem
como se não tivessem vivido. O que ocorre com muitos é que passam a vida
metendo numa caixa todos os seus tesouros até que um dia, seus corpos
desprezíveis estarão nos seus próprios caixões, que nem eles próprios poderão
carregar.
Estar de bem com o dinheiro depende
do verdadeiro propósito de sua existência. A partir do momento que o ser humano
possui excessivamente mais do que o necessário para comer e se vestir, passa a
viver mais preocupado. Não é errado possuir bens materiais, o que é errado é
viver em função deles, principalmente para ostentá-los.
A fortuna favorece os responsáveis.
É importante ser corajoso com o dinheiro, mas não corajoso demais. Os heróis
são adorados, mas heróis falidos são desprezados. Uma coisa é certa: administrar
o dinheiro é fácil; difícil é administrar a falta dele. Muitas vezes também se
sofre mais com desperdício de dinheiro, do que pela falta dele. É preferível
ser dono de uma moeda, do que ser escravo de duas. Infelizmente, a origem de
muitas fortunas é resultado dos saques realizados no passado provocando também
a falência de muitos.
Com dinheiro podemos comprar camas,
mas não os sonhos; livros, mas não cultura; comida, mas não apetite; adornos,
mas não beleza; uma casa, mas não um lar; remédios, mas não saúde; luxos, mas
não simpatia; diversões, mas não felicidade; um crucifixo, mas não um Salvador,
uma igreja, mas não o paraíso. É uma demonstração de que tudo o que o dinheiro
não é capaz de comprar, Deus nos dá de graça.
De outro lado, não se pode negar, o
dinheiro toca nossos sentimentos e até mesmo nosso espírito. Um bom salário
traz uma sensação de segurança, enquanto que uma grande dívida pode significar
noites de insônia.
Na verdade, o que não gera dúvidas,
dinheiro é muito mais que poder aquisitivo. Ele tem uma energia complexa,
influente e necessária. O dinheiro é uma força de energia que transcende
limites físicos por sua habilidade de modificar formas. O dinheiro é,
literalmente, uma coisa diferente para diferentes pessoas. Para muitos, um
real, pode significar um pedaço de doce, para muitos outros também pode
significar a única refeição do dia. Um bilionário poderia usar um determinado
valor para comprar um jato particular, já para outros de uma classe média,
provavelmente com o mesmo valor compraria uma casa para morar com a família.
Não há nada de errado em apreciar o
dinheiro ou tudo aquilo que ele pode comprar. Sob o ponto de vista cabalístico
e outros espiritualistas, o significado emocional do dinheiro equipara-se à sua
importância econômica. O dinheiro afeta todas as áreas da vida, da autoestima
às ações e contratos. Entender a energia e o propósito do dinheiro coloca-nos
no controle de nosso bem estar financeiro. Se o dinheiro tem tal energia, de onde
essa energia vem?
Por que separar os negócios da
energia e da espiritualidade? Prosperidade é um estado de espírito, é ter
sucesso e sentir-se realizado e satisfeito, em cada área da vida. Todavia é de
suma importância que se tenha um certo grau de consciência para criar abundância
em todas as áreas da vida, vislumbrando o que deseja em termos pessoais,
materiais, financeiros e espirituais, para se sentir satisfeito.
A experiência tem demonstrado que quando
se tem idéias para ganhar dinheiro, reúnem-se todos os aspectos positivos em
fração de hora, mas é muito comum, ricos viverem anos de tormentos por terem
desprezados os pontos negativos. Não terá sabor a prosperidade, quando se vê
duas vezes mais rico que antes, mas também duas vezes mais atropelado. Para se
dizer que se tem muitos bens é necessário que a cultura esteja ao lado desses
bens.
Como justificar a importância e a necessidade
de doações?
Partindo também de princípios
espiritualistas, a doação de dinheiro é simplesmente um compartilhar de energia
que encontra justificativa. Afinal de contas, isso realmente é o que o dinheiro
é. O ato de doar cria um circuito dinâmico de energia, sem o qual a energia
monetária permaneceria estagnada, bloqueada e impossibilitada de crescer. Usar
o dinheiro com consciência é também propósito espiritual que transforma
positivamente, sem limitar o futuro. Isso se aplica não só às pessoas, como
também aos negócios, relacionando o fato à tão falada Responsabilidade Social.
Já é fato comprovado que as empresas que adotam esses princípios, benefícios a
funcionários e à comunidade, “misteriosamente” transmitem uma administração
eficiente e consequências positivas.
Toda e qualquer doação, seja em
dinheiro, objetos ou mão-de-obra, benefícios de um modo geral, deve ser feita
de “coração”. Procure doar aos que necessitam de verdade, ou a instituições
dignas de fé e, principalmente, evite dar o “dízimo” por medo, pois o que é
feito sem amor não tem valor. Com relação ao dízimo, uma criação do homem, não
tem sentido. Não é dando uma porcentagem do seu salário para uma igreja, que
você irá comprar o seu lugar no “céu”. A “moeda corrente” no reino de Deus é o
que se faz de bom ou de ruim e não a soma de dinheiro que se dá para uma
igreja.
Com relação às instituições religiosas,
de um valor social indescritível nas comunidades, não se pode negar a
importância ou até mesmo a obrigatoriedade de se fazer doações, afinal muitas
delas são carentes de manutenção, mas, o dinheiro está no âmago de muitos
problemas de muitas igrejas. Algumas delas enchem seus cofres, exigindo dízimos
de seus membros para financiar estilos de vida extravagantes dos dirigentes e
construção de templos magníficos, com a desculpa de agradar a Deus.
No plano de Deus, a igreja é um
corpo espiritual, com uma missão espiritual. Muitos dos problemas das igrejas
modernas, relacionados com dinheiro, são resultados de decisões humanas de
deslocar o centro das atenções de sua missão espiritual para os interesses
sociais, políticos ou comerciais.
Muitas
igrejas pregam que o dízimo (um décimo) é necessário hoje, e que aqueles que
não dão 10% não serão abençoados por Deus. Eles deixam de fazer a distinção que
Jesus e os apóstolos fizeram entre o Velho e o Novo Testamento. O dízimo era
parte da Lei de Moisés, para os judeus, alguns séculos antes de Cristo. Não
estamos sob essa lei. Não há uma única passagem no Novo Testamento que autorize
as igrejas a exigir dízimo. Tudo depende do potencial e do estado de
consciência do doador, qualquer que seja o percentual, desde que o
dinheiro tenha sido adquirido moralmente.
Os
sentimentos e as energias são como os bens materiais; se você não os tiver para
si, não pode dá-los aos outros. Se você tem somente um saco de pão e alguém lhe
pede uma fruta, você não pode dar, pois não a tem. O mesmo ocorre com o
dinheiro. Se você não tiver amor e paz dentro de você, não poderá dar, pois,
primeiramente, é preciso ter para si, para depois poder dar para os outros.
Se você não está satisfeito
com o que é e com o quanto ganha, imagine o que gostaria de ser e aonde chegar
e trabalhe para atingir seu ideal, porque quando você pensa o bem, todas as
forças do Universo lhe favorecem.
