domingo, 28 de outubro de 2012

A MARGEM DE LUCRO É EXCELENTE, MAS ONDE ESTÁ O DINHEIRO?


Veslaine Antônio Silva
 

            O mercado está favorável com as vendas em ritmo acelerado. Os custos fixos e variáveis estão compatíveis com a atividade. A margem de lucro comprovadamente é excelente, mas o dinheiro não aparece. “A empresa está respirando mal”. O que está acontecendo? 

             O ciclo financeiro, operacional e de caixa de uma empresa, vai do período de tempo que decorre entre a compra de matérias-primas e (ou) material de revenda, na maioria das vezes a prazo e o pagamento dos mesmos, em paralelo, à fabricação, venda e revenda de produtos acabados, também na maioria das vezes a prazo, e recebimento, com a correspondente margem de lucro.  Nesse período muita coisa pode acontecer: a empresa poderá gradativamente fortalecer o capital de giro, “o pulmão da empresa,” com o correto manuseio das operações ou, o que muito ocorre, lentamente, às vezes de maneira quase imperceptível, estar se descapitalizando, podendo chegar a uma insustentável incapacidade financeira. E não adianta culpar governo, impostos e outros. Daí a importância de se analisar comportamentos tendo como instrumento o registro das operações.

            Os pontos marcantes nesse período, os maiores causadores do “sumiço” do dinheiro nas empresas, principalmente nas pequenas empresas, está relacionado com a eficiência ou deficiência do giro dos estoques, dos prazos médios de recebimentos nas vendas a prazo e dos prazos médios de pagamentos nas compras a prazo.

            Se a faixa de mercado de uma empresa, no seu ritmo normal permite a venda mensal de 10.000 unidades de produtos em mádia, o ritmo da produção deve ser compatível, admitindo-se racionalmente um pouco mais como medida de segurança no atendimento. Exemplo: se o giro do estoque de produtos vendidos for de 30 dias em média e o giro do estoque de produtos fabricados for em média de 60 dias, significa que o dinheiro investido no estoque de produtos, ficará parado um mês diante dos compromissos que vencem no dia-a-dia.

            Se a empresa fabrica em média 10.000 unidades mensais o ritmo de compra de matérias-primas também deve ser compatível, admitindo-se também racionalmente um pouco mais como medida de segurança para evitar riscos no abastecimento. Exemplo: Se o giro de estoque da produção for de 30 dias e o giro do estoque de matérias-primas for de 60 dias, significa que o dinheiro investido a mais em matérias-primas ficará parado um mês, também diante dos compromissos que vencem no dia-a-dia.

            Uma outra causa da descapitalização está no fato da empresa habitualmente fazer as compras a prazo com um tempo para pagamento inferior ao que concede para recebimento nas vendas a prazo. Exemplo: Se nas análises periódicas e sistemáticas a rotação de débitos nas compras a prazo é de 30 dias e a rotação de créditos na vendas a prazo é de 60 dias, significa que em média a empresa estria pagando seus débitos em média 30 dias antes dos recebimentos.

            Esses três exemplos são os mais freqüentes e fortes causadores das deficiências nos fluxos de caixa das empresas, dificultando a “respiração”, quitando compromissos com juros por atrasos ou até mesmo perdendo créditos. A tendência é de um crescimento dos indicadores negativos, num processo lento e gradativo. Trata-se de uma análise simples que se sugere fazer mensalmente e que mostra claramente como está sendo conduzida a liquidez financeira da empresa.

 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

CRISES?


Não se deixe influenciar!


Veslaine Antônio Silva

 

            Estando em ritmo de crescimento, não se deve ignorar quando os noticiários anunciam crises de ordem econômico-financeiras, até mesmo para se cuidar e evitar decisões de investimentos que podem aguardar. Procure produzir melhores produtos e serviços. Explore suas idéias.  O problema é quando vem os pessimistas que não mudam de assunto, julgam-se “experts”, dramatizam exageradamente e tentam desestimular os que querem trabalhar. Quando isso ocorrer, lembre-se da vítima que adotou as medidas sugeridas por um “entendedor” e não faça o mesmo.  Veja abaixo resumo, adaptação e arranjos baseada numa publicação de G. Kingsley Ward (Editora Record)
 






            Trata-se de um senhor acima da meia idade que trabalhava com um ponto de venda de cachorro-quente numa região agrícola da periferia de uma grande cidade. De uma forma natural, ele sabia fazer o negócio render! Pessoas residentes em locais distantes falavam dos deliciosos cachorros-quentes do simpático velhinho. Já visualizavam os cartazes que anunciavam “o melhor cachorro quente do país” e em volta do carro-restaurante na beira da estrada, estava sempre um aglomerado de pessoas para experimentá-lo. Do lado de fora, ele dava boas vindas, convidava todos para entrarem, distribuindo sorrisos e jovialidade e enfatizava: “Peçam mais de um porque são realmente deliciosos.” E o pessoal se deliciava com as belas salsichas e pães fresquíssimos somados ao suculento molho, mostarda picante, cebola no ponto exato, além do excelente atendimento por atendentes super atenciosos e sorridentes. Todos saiam estalando a língua e dizendo: “Nunca pensei que um simples cachorro-quente pudesse ser tão gostoso!” Na medida em que se afastavam, o velho fazia acenos e dizia “Por favor voltem mais vezes. Eu preciso do negócio assim como esses jovens que trabalham comigo também precisam para terminar a faculdade”. Com essa qualidade e atendimento, as pessoas vinham novamente em quantidade cada vez maior.  
 
        Num determinado dia o filho mais velho, que voltava de uma famosa universidade onde fez mestrado em Administração de Empresas e defendeu tese doutorado em Economia, observando a pequena empresa do pai e a forma de atendimento diz aparentemente irritado, em face de seus conhecimentos: “Que isso meu pai? o senhor não tem visto os noticiários? Não sabe da recessão que estamos passando? O senhor precisa cortar despesas! Livrar-se de gastos com publicidade e cartazes. Reduza custos com a mão de obra diminuindo a equipe de seis para três empregados. O senhor mesmo pode cozinhar ao invés de perder tempo do lado de fora. Procure fornecedores de pães e salsichas com preços menores. Faça o mesmo com a mostarda e o molho. Dispense a cebola, cachorro-quente é coisa simples. Com essas medidas, o senhor vai poder enfrentar a crise. Muitos comerciantes Já fecharam as portas!”. Tive a sorte de chegar a tempo de orientá-lo.

        O pai, agradecendo e, conhecendo a “inteligência do filho”, com “todos aqueles títulos”, em nenhum momento duvidou dos seus “sábios conselhos”. Os cartazes deixaram de ser repostos. Passou a cozinhar manipulando artigos baratos e mantendo apenas uma atendente, gerando esperas.

            Alguns meses depois, o filho, preocupado, volta a encontrar o pai e perguntou-lhe: está conseguindo superar a situação? O pai, vendo o pátio vazio, na estrada os carros passando direto e o barulho da caixa registradora que raramente se ouvia, vira-se para o filho e diz; “É meu filho, você estava certíssimo! Estamos numa crise violenta!”

            “Conhecimento” e “sabedoria” não são sinônimos!

         Concluindo: Por mais conhecimentos e certificados que se tenham, é necessário estar ciente de que se tem muito por aprender. O aprendizado na escola da vida e no desenvolvimento dos anos, apesar de não oferecem diplomas, superam ou até mesmo eliminam muitos problemas. Claro que o conhecimento gerado no ambiente estudantil é de grande importância, mas não se pode menosprezar os aprendizados da vida. O ideal é a soma, a sinergia, mas isso nem sempre é possível.
 
Reflitam sobre essa história!
Um abraço a todos e até a próxima.