Veslaine Antônio
Silva
A maioria das organizações,
desprezando os processos naturais, avalia o potencial, o desempenho e a
capacidade profissional das pessoas, direta ou indiretamente, por meio do
intelecto, pura e simplesmente e muitas vezes do “suposto intelecto”. Entretanto, nenhum sucesso será permanente,
sem as energias propulsoras dos valores internos do ser humano, para superação
dos problemas que surgem constantemente na vida profissional e de relação, ou
seja: a razão e a sensibilidade. Na verdade, os dois devem ser considerados,
ora o primeiro ora o segundo ora ambos em paralelo, objetivando-se atender às
necessidades do momento.
Como as mudanças se verificam em
tudo, desde o princípio do mundo e quem sabe do próprio universo, hoje, de
forma mais acentuada, estamos presenciando as macro tendências econômicas, o
extraordinário avanço tecnológico, a velocidade das informações, a constante
busca da excelência da qualidade, mas também, da “falsa qualidade” com
enganosos revestimentos. Isso tem assustado os empreendedores, os dirigentes,
com reflexos causados particularmente nas micro e pequenas empresas. Cabe ressaltar, portanto, que o
conhecimento deve ser absorvido, não só para atender às necessidades das
organizações, face à luta descomunal, para se concorrer num mundo econômico,
mas, acima de tudo, deve ser absorvido para se “viver” com qualidade e
“compartilhas”, mesmo num mundo de concorrência.
Segundo a Bíblia, o
rei Joaquim reinou em Judá, em 608 antes de Cristo. Foi nessa época que Daniel
teve o privilégio de escrever o seu livro, relatando tudo o que lhe fora
revelado. Veja-se que daquele tempo em diante, quando Daniel disse “a ciência
se multiplicará” a mesma não parou de avançar. A cada dia as pessoas estão
valorizando com extremismos o desenvolvimento da inteligência, abandonando cada
vez mais os valores éticos. O aspecto
tecnológico e todo esse aparato não terão representatividade, se não houver o
desenvolvimento que qualifica os seres humanos, ou seja: as questões do
sentimento, do afeto, do equilíbrio físico, biológico e mental, além do aspecto da segurança, da
proteção contra as doenças e intempéries e, com muita
urgência, a sustentabilidade da atividade operacional, de onde vem a energia
monetária sem o que, o equilíbrio “evapora”.
De acordo com as informações que se tem, o desenvolvimento da ciência e da
tecnologia, junto ao processo econômico, tem proporcionado ao homem uma enorme
quantidade de objetos e serviços, que atendem a uma vasta gama de necessidades
humanas, mas, merece destaque, também uma vasta gama daquilo que é desnecessário.
O esperado uso de forma vangloriosa, que o
homem faz da ciência e da tecnologia, e julgando ainda que tudo esteja sob
controle, pode ser enquadrado como consequência positiva na chamada
globalização? Não, não é o que acontece, que se percebe, diante da realidade.
Afinal, não era de se esperar que
com a globalização, se chegasse a uma fase histórica em que o planeta como um
todo se tornasse um ambiente natural, onde cada indivíduo, com conhecimentos e
experiências, possuísse o direito de emitir juízo sobre povos inteiros. Já foi dito, no século passado, que o
próximo século, ou seja, o século atual deveria apresentar um ambiente social
maravilhoso, diferente, onde as pessoas viveriam e fariam negócios, sem abusos
na comercialização. Que a tecnologia cumpriria a sua promessa
de oferecer os meios para aliviar a vida profissional e social das pessoas. A
porta desse novo século já se abriu há mais de uma dezena de anos. Pode-se
dizer que isso é globalização na esperada essência da palavra? Pode-se pensar
em empreendedorismos, na certeza de que realmente não há ou haverá abusos na
comercialização? Qual será a situação das micro e pequenas empresas, diante
do atual clima, fervilhante de inovações, de incrível velocidade das
informações, de acirrada concorrência, quando as organizações, para
sobreviverem se defrontam de todas as maneiras, para a conquista de uma parcela
cada vez maior de mercado, “sem compartilhas” e extrair dele, margens de lucro
também cada vez maiores, diferente da real compensação pelo capital investido?
Isso, sem falar das intempestivas preocupações com a valorização de ações nas
bolsas. Mas uma vez questionam-se, quais as consequências para as empresas de
menor potencial, principalmente as micro e pequenas?
Mas,
e a tão falada responsabilidade social e em consequência, é claro, também a
empresarial? A verdade é que estamos num cenário de
concorrência predatória no mundo. Nosso mercado está sendo apropriado cada vez
mais pelos produtos importados. Os novos
fenômenos não deveriam ser de “equilíbrio de mercado”, com medidas altamente
favoráveis, com o avanço da globalização da economia? Sim, mas, muitos políticos e poderosos que
deveriam trabalhar com o povo, pelo povo e para o povo, além de serem corruptos,
têm somente metas e objetivos pessoais, esquecendo-se de que o cargo lhe foi
dado para lutar por aqueles que o puseram lá, em maior escala, a massa popular,
mas também para os que não o puseram. Em geral, não fazem nada para justificar
os altíssimos ganhos. É comum o povo
sentir-se feliz, delegando poderes a governantes para solucionarem problemas,
mas muitos deles acabam rindo-se de todas as formas de liberalismo e democracia
que destroem.
Ampliando as observações sobre a
real responsabilidade social, as grandes empresas enfatizam projetos nos seus
Planos Orçamentários. O potencial delas
permite. É digno de admiração. Todavia, é de suma importância, ou melhor, é
louvável saber que as micro e pequenas empresas têm feito a sua parte de forma
sigilosa com um nível de importância bem maior, mas, ninguém se lembra porque
não é divulgado, não aparece nos jornais. Todavia, é extremamente significativa
a participação delas em benefício das famílias, da sociedade de um modo geral. O número chega a ser assombroso. Mesmo com
aberturas e encerramentos constantes, elas são responsáveis por,
aproximadamente 80% dos empregos no país.
As grandes empresas cumprem sem
dúvida a sua parte. Entretanto, diante de crises ou de “supostas crises”, vem
uma decisão da matriz ou da “holding” e determina, por exemplo, um “corte de
20% do pessoal” e aí, quantos ficam desempregados? Ora, o que é de se admirar,
experiências já vivenciadas, é que as micro e pequenas empresas encontram-se ou
podem se encontrar, também diante das mesmas crises ou “supostas crises”, mas,
o lado humano, essência de uma responsabilidade social, impera, e o dono
humildemente diz: “a situação está
apertada, mas se Deus quiser, logo melhora”. “Segura daqui, segura dalí” e
mantém o empregado. Mesmo com os encargos que afetam os custos, o que não
ocorre de forma semelhante em muitos países que exportam seus produtos
prejudicando a concorrência. Dá para imaginar o caos, se elas que são
responsáveis por aproximadamente 80% dos empregos, tomassem a mesma decisão. 20% dos 80% aproximado, da bolsa de empregos
do país, promovidos pelos micro e pequenos empresários, estariam na rua. Daí a
necessidade imperiosa do apoio e maior valorização do governo federal, governo
estadual, governo municipal, profissionais, cidadãos. Uma “compartilha” cujo ganho, indiretamente,
em breve, será maior, num amplo sentido.
É claro que quando os noticiários
anunciam crises de ordem econômico-financeiras, não se deve ignorar, até mesmo
para se cuidar e evitar decisões de investimentos que podem aguardar, mas, não
se deve deixar de produzir melhores produtos e serviços, explorando ideias
construtivas. O problema é quando vêm os pessimistas que não mudam de assunto,
fazem-se de entendidos, dramatizam exageradamente e tentam desestimular os que
querem trabalhar. Basta observar as contradições positivas e negativas,
noticiadas entre os “doutores” analistas.
O
que está se sobressaindo na praia da concorrência é o “Made in”, quando se
esquece da qualidade, ignorada em face do enganoso preço. É a chave de
fenda baratíssima que “entorta” a ponta, mas não tira o parafuso; é a serra
metálica com suporte plástico que arrebenta na primeira tentativa de uso; é a
sandália barata que pode infeccionar o pé por ser fabricada com resíduos de
produtos tóxicos, são os brinquedos, sabonetes, géis, desodorantes, vestuários
e milhares de outros produtos em iguais condições. Isso é um alerta para o futuro! Mas qual a
força desse alerta? O
segredo da propaganda indisciplinada, consiste em fazer crer o consumidor, que
ele necessita de alguma coisa que nem mesmo deseja.
Percebe-se que é difícil sair de uma loja sem comprar algo que não se
necessita. Ou melhor, sempre tem algo tão barato que forçará a compra pois, irá
servir, quem sabe, para alguma coisa...
Na maioria dos estabelecimentos,
está definido: O cliente em primeiro lugar!
Não seria mais correto o empregado em primeiro lugar para que,
valorizado, coloque a empresa em primeiro lugar e como consequência através da
qualidade do atendimento, indiretamente, o cliente seja colocado em primeiro
lugar? Este é um correto senso social. Todavia, a qualidade inferior, e pior
ainda, o desrespeito e a desvalorização do ser humano em benefício da redução
de custos, ganho de mercado e margem de lucro tem vencido boa parte dessa
“parada”.
Tem-se conhecimento de países em que
os custos da mão de obra, incluindo os encargos, chegam a ser sensivelmente
menores que os do Brasil. Locais onde praticamente não existem benefícios. Uma
verdadeira escravatura. Sujeita-se não receber sequer horas extras trabalhadas,
para segurar o emprego. Isso é usado como
tática de poder para se ganhar mercado e é com tristeza que se observa, que por
parte de alguns países a fabricação é terceirizada por lá, para que a
competição seja vencida no mercado interno. Compram baratíssimo e vendem
caríssimo. É a loucura pelo dinheiro,
pelo lucro exagerado, mas, esquecem que tudo tem um fim. “Tudo o que é demais acaba logo”. Entretanto, enquanto esse momento
não chega, logo, os poderosos lá de fora farão o que querem nos mercados
“condescendentes” que terão de engolir as consequências e, gradativamente os
preços serão aumentados mais ainda, com novas leis de mercado. Todos, inclusive
filhos e netos, assistirão a uma inversão nas regras do jogo. Nessas alturas,
quando se acordar, é possível que seja tarde, se não houver mudanças, com novas
orientações e metodologias.
Com
relação às orientações e metodologias, nas escolas e cursos de um modo geral,
atualmente, o modelo de ensino deveria ser “não ter modelo”. Para evitar
negativismos, pode-se e deve-se tomar
conhecimento periódico e constante das tendências econômico-financeiras da
empresa, localizar desencontros de informações, pontos vulneráveis e tomar
decisões corretivas acertadas para atender aos interesses específicos diante da
realidade. A experiência tem mostrado que o conhecimento
humano praticamente dobra a cada ano. De acordo com esse raciocínio, depois de
formado, um percentual muito grande daquilo que se aprendeu estará obsoleto,
dependendo do ramo de atividade. Uma boa
parte do conhecimento humano é de curta duração, poderíamos até dizer
descartável, após usado algumas vezes. Desconfiar, portanto, dos
ultraconservadores, que ainda ensinam "conhecimentos" de antes do
século passado como se o mundo não tivesse mudado ou então pararam no tempo,
como todo conservador. Será que Taylor, Fayol, Ford, Keynes e outros do passado
escreveriam e orientariam a mesma coisa se estivessem vivos hoje? Daí, a
necessidade de se aprender a criar conhecimento, e não somente a usar o
conhecimento do passado, na tentativa de se tornar apto para triunfar na
solução dos problemas atuais, evitando a possibilidade de tornar-se um joguete
diante das circunstâncias.
Espera-se
que representantes e ou titulares das micro e pequenas empresas e também
microempreendedores individuais, acostumem-se a consultar órgãos como o SEBRAE
e outros órgãos de apoio com orientações e suportes práticos gratuitos, nas
Secretarias de Desenvolvimento Econômico das prefeituras de diversos municípios,
uma iniciativa crescente. Que ao procurar profissionais de apoio direto ou
indireto, tomem conhecimento sobre a competência dos mesmos, já que graduação
nem sempre significa capacidade. Que se aproximem mais em contatos com
entidades bancárias, no caso de necessidade, em conversa sincera e franca,
sobre quais as melhores operações financeiras, mesmo porque é de interesse
delas, considerando a reciprocidade. Os
saldos médios mantidos em conta corrente podem não ser tão altos
individualmente, o que não ocorre no caso de uma grande quantidade de
correntistas em condições “sadias”. Que
se façam comparações antes de tomadas de decisões. Enfim, que se instruam. Tudo
isso reduz custos e ajuda na competição e na “compartilha” de mercado.
É necessário e de grande
importância, valorizar o produto nacional, influenciar a mudança de conceitos
como consumidores, pensar num futuro próximo a fim de fomentar o emprego no país, pela sobrevivência do amigo, do vizinho e
porque não dizer, da própria e dos descendentes. Com os novos
incentivos, novas medidas, o Brasil tem sido um modelo para o mundo, abrindo
uma possibilidade até para o Micro Empreendedor Individual, e o que se espera é
que comece a ser imitado para reverter a posição.
É
a esperança de ver “uma nova globalização”, alguma coisa de mais nobre, e com
isso, que os anseios de Confúcio sejam atingidos e a “compartilha” se realize.
Sejamos positivo,vai
dar certo!
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