domingo, 20 de janeiro de 2013

O DINHEIRO É TAMBÉM ENERGIA DIVINA?


Depende da procedência e do uso!

Veslaine Antônio Silva

Foto de Luciano.silva, disponível no Flickr sob licença Creative Commons

            Para conseguir uma pequena fortuna bastam três operações naturais e simples ou sejam: saber para onde vai todo o dinheiro, saber para onde deveria ir e certificar-se de que ele vá para onde deve ir. A maioria dos que chegam à beira da falência ou mesmo à falência, são incitados por motivos banais ou por interesse de outra ordem. Simulam despreocupações, permitindo esbanjamentos para dar a impressão perante a sociedade, de que seus bens estão florescendo.

            Muitos são os que perdem a saúde para acumular dinheiro e depois perdem-no o para recuperá-la. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por não viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido. O que ocorre com muitos é que passam a vida metendo numa caixa todos os seus tesouros até que um dia, seus corpos desprezíveis estarão nos seus próprios caixões, que nem eles próprios poderão carregar.

            Estar de bem com o dinheiro depende do verdadeiro propósito de sua existência. A partir do momento que o ser humano possui excessivamente mais do que o necessário para comer e se vestir, passa a viver mais preocupado. Não é errado possuir bens materiais, o que é errado é viver em função deles, principalmente para ostentá-los.

            A fortuna favorece os responsáveis. É importante ser corajoso com o dinheiro, mas não corajoso demais. Os heróis são adorados, mas heróis falidos são desprezados. Uma coisa é certa: administrar o dinheiro é fácil; difícil é administrar a falta dele. Muitas vezes também se sofre mais com desperdício de dinheiro, do que pela falta dele. É preferível ser dono de uma moeda, do que ser escravo de duas. Infelizmente, a origem de muitas fortunas é resultado dos saques realizados no passado provocando também a falência de muitos.

            Com dinheiro podemos comprar camas, mas não os sonhos; livros, mas não cultura; comida, mas não apetite; adornos, mas não beleza; uma casa, mas não um lar; remédios, mas não saúde; luxos, mas não simpatia; diversões, mas não felicidade; um crucifixo, mas não um Salvador, uma igreja, mas não o paraíso. É uma demonstração de que tudo o que o dinheiro não é capaz de comprar, Deus nos dá de graça.

            De outro lado, não se pode negar, o dinheiro toca nossos sentimentos e até mesmo nosso espírito. Um bom salário traz uma sensação de segurança, enquanto que uma grande dívida pode significar noites de insônia.

            Na verdade, o que não gera dúvidas, dinheiro é muito mais que poder aquisitivo. Ele tem uma energia complexa, influente e necessária. O dinheiro é uma força de energia que transcende limites físicos por sua habilidade de modificar formas. O dinheiro é, literalmente, uma coisa diferente para diferentes pessoas. Para muitos, um real, pode significar um pedaço de doce, para muitos outros também pode significar a única refeição do dia. Um bilionário poderia usar um determinado valor para comprar um jato particular, já para outros de uma classe média, provavelmente com o mesmo valor compraria uma casa para morar com a família.

            Não há nada de errado em apreciar o dinheiro ou tudo aquilo que ele pode comprar. Sob o ponto de vista cabalístico e outros espiritualistas, o significado emocional do dinheiro equipara-se à sua importância econômica. O dinheiro afeta todas as áreas da vida, da autoestima às ações e contratos. Entender a energia e o propósito do dinheiro coloca-nos no controle de nosso bem estar financeiro. Se o dinheiro tem tal energia, de onde essa energia vem?

            Por que separar os negócios da energia e da espiritualidade? Prosperidade é um estado de espírito, é ter sucesso e sentir-se realizado e satisfeito, em cada área da vida. Todavia é de suma importância que se tenha um certo grau de consciência para criar abundância em todas as áreas da vida, vislumbrando o que deseja em termos pessoais, materiais, financeiros e espirituais, para se sentir satisfeito.

            A experiência tem demonstrado que quando se tem idéias para ganhar dinheiro, reúnem-se todos os aspectos positivos em fração de hora, mas é muito comum, ricos viverem anos de tormentos por terem desprezados os pontos negativos. Não terá sabor a prosperidade, quando se vê duas vezes mais rico que antes, mas também duas vezes mais atropelado. Para se dizer que se tem muitos bens é necessário que a cultura esteja ao lado desses bens.

            Como justificar a importância e a necessidade de doações?

            Partindo também de princípios espiritualistas, a doação de dinheiro é simplesmente um compartilhar de energia que encontra justificativa. Afinal de contas, isso realmente é o que o dinheiro é. O ato de doar cria um circuito dinâmico de energia, sem o qual a energia monetária permaneceria estagnada, bloqueada e impossibilitada de crescer. Usar o dinheiro com consciência é também propósito espiritual que transforma positivamente, sem limitar o futuro. Isso se aplica não só às pessoas, como também aos negócios, relacionando o fato à tão falada Responsabilidade Social. Já é fato comprovado que as empresas que adotam esses princípios, benefícios a funcionários e à comunidade, “misteriosamente” transmitem uma administração eficiente e consequências positivas.

            Toda e qualquer doação, seja em dinheiro, objetos ou mão-de-obra, benefícios de um modo geral, deve ser feita de “coração”. Procure doar aos que necessitam de verdade, ou a instituições dignas de fé e, principalmente, evite dar o “dízimo” por medo, pois o que é feito sem amor não tem valor. Com relação ao dízimo, uma criação do homem, não tem sentido. Não é dando uma porcentagem do seu salário para uma igreja, que você irá comprar o seu lugar no “céu”. A “moeda corrente” no reino de Deus é o que se faz de bom ou de ruim e não a soma de dinheiro que se dá para uma igreja.

            Com relação às instituições religiosas, de um valor social indescritível nas comunidades, não se pode negar a importância ou até mesmo a obrigatoriedade de se fazer doações, afinal muitas delas são carentes de manutenção, mas, o dinheiro está no âmago de muitos problemas de muitas igrejas. Algumas delas enchem seus cofres, exigindo dízimos de seus membros para financiar estilos de vida extravagantes dos dirigentes e construção de templos magníficos, com a desculpa de agradar a Deus.

            No plano de Deus, a igreja é um corpo espiritual, com uma missão espiritual. Muitos dos problemas das igrejas modernas, relacionados com dinheiro, são resultados de decisões humanas de deslocar o centro das atenções de sua missão espiritual para os interesses sociais, políticos ou comerciais.

            Muitas igrejas pregam que o dízimo (um décimo) é necessário hoje, e que aqueles que não dão 10% não serão abençoados por Deus. Eles deixam de fazer a distinção que Jesus e os apóstolos fizeram entre o Velho e o Novo Testamento. O dízimo era parte da Lei de Moisés, para os judeus, alguns séculos antes de Cristo. Não estamos sob essa lei. Não há uma única passagem no Novo Testamento que autorize as igrejas a exigir dízimo. Tudo depende do potencial e do estado de consciência do doador, qualquer que seja o percentual, desde que o dinheiro tenha sido adquirido moralmente.

Os sentimentos e as energias são como os bens materiais; se você não os tiver para si, não pode dá-los aos outros. Se você tem somente um saco de pão e alguém lhe pede uma fruta, você não pode dar, pois não a tem. O mesmo ocorre com o dinheiro. Se você não tiver amor e paz dentro de você, não poderá dar, pois, primeiramente, é preciso ter para si, para depois poder dar para os outros.

                   Se você não está satisfeito com o que é e com o quanto ganha, imagine o que gostaria de ser e aonde chegar e trabalhe para atingir seu ideal, porque quando você pensa o bem, todas as forças do Universo lhe favorecem.

Texto baseado nos livros publicados pelo autor.