quinta-feira, 15 de novembro de 2012

QUE SONO TRANQUILO! AS VENDAS ULTRAPASSARAM O P.E.

Veslaine Antônio Silva


bebê com sono Foto de Paul Goyette, disponível no Flickr sob licença Creative Commons

            Sim, é humano e matematicamente correto. A empresa pode aumentar sua margem de lucro na comercialização de produtos, seja no processo de produção e venda ou mesmo somente na revenda. Basta usar corretamente as informações devidamente registradas das operações diárias das despesas e receitas e partir para uma nova política de marketing que, no caso específico, basta uma divulgação bem direcionada.

            O sono tranquilo, em consequência do nível em que se encontra o P.E., significa o acerto quando se usa o “remédio” na forma correta. O P.E., ou seja, o Ponto de Equilíbrio, que alguns chamam de Ponto de Ruptura e outros que gostam de “esnobar”, para se mostrarem “atualizados” falando no Break Even Point, nada mais é do que o ponto a partir do qual, a empresa começa a operar com lucro. Abaixo dele, estará operando com prejuízo, ou seja: se as vendas estiverem abaixo desse ponto a empresa está em ritmo de prejuízo. Se estiverem acima, está operando em ritmo de lucro.

            Os sistemas de custos de um modo geral classificam as receitas como “variáveis”, ou seja: pode-se vender muito, pouco ou nada dependendo de vários fatores, entre eles, o mais significativo, o preço.  Classificam também as despesas em “variáveis”. Produzindo-se mais gasta-se mais, produzindo-se menos, gasta-se menos. Por exemplo: mão de obra operária e matérias-primas. Classificam também em “fixas” quando, produzindo-se e vendendo ou não, elas existem obrigatoriamente. Por exemplo: Aluguéis, salários administrativos. Existem também as “semi-variáveis” tais como: energia elétrica, água (produtos que as utilizam) etc. Se a produção for maior elas serão maiores na fábrica. Se o ritmo da produção cai, elas também diminuem. Todavia, independente da produção, nos setores administrativos elas permanecem.

            A soma dos custos fixos e variáveis representa o custo total da empresa e a diferença entre o valor das vendas e custos totais representa o lucro do exercício, por exemplo, no mês. A diferença entre o valor das vendas e custos variáveis representa a Contribuição Marginal (um lucro desconsiderando os custos e despesas fixas). No mínimo, a empresa tem que produzir e vender o suficiente para pagar os custos e despesas fixas. Nesse ponto, não opera com lucro nem prejuízo (não ganha nada, mas também não perde nada) Abaixo dele está operando com prejuízo e acima, operando com lucro e quanto maior o volume maior o lucro.

            Tendo-se conhecimento do volume médio mensal das vendas e tendo os custos devidamente registrados, o P.E. pode ser estimado para cada mês. Se o expediente da empresa é de 26 dias mensais, o P.E. médio pode ser estabelecido em dias (P.E. dividido por 26) Assim, se as vendas de determinado dia ou até aquele dia, não atingiu o P.E., o sono não será tranqüilo porque se está operando em ritmo de prejuízo.

            Um exemplo (uma pequena empresa):

            Digamos que as vendas (V.) médias mensais da empresa sejam (dispensando centavos) de $20.000. Que as despesas e custos fixos (C.F.) sejam de $1.800 e que as despesas e custos variáveis (C.V.) sejam de $10.800. Isto significa que o custo total (fixo mais variável) é de $12.600 e que, deduzido das vendas, chega-se a um lucro de $7.400. A contribuição marginal (C.M.) (vendas menos custos variável) é de $9.200. Qual o valor do Ponto de Equilíbrio?

Fórmula do Ponto de Equilíbrio
 
            Isso significa que, enquanto as vendas não atingirem o nível de $3.913, a empresa estará operando com prejuízo. Acima desse valor, passará a operar com lucro e quanto maior o volume acima desse ponto, maior a margem de lucro.

            Se o expediente da empresa é de 26 dias mensais (não opera aos domingos) o Ponto de Equilíbrio médio diário é de $151 ($3.913 / 26 = $151). Se no final do dia, o valor das vendas ultrapassou esse valor, essa noite será tranquila. O princípio é o mesmo, para qualquer porte e ramo de atividade.

            Partindo desse princípio, as empresas podem competir com preços menores no mercado, sem reduzir a margem de lucro ou até mesmo aumentá-la. Assunto para um próximo artigo. 

            Bom sono!

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